quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Circuitos automóveis em Moçâmedes


Na foto: Rui Torres, vencedor do 1º Rally do Lubango em 1953, ostentando os seus troféus.


As décadas de 40 e 50 d0 século XX foram férteis no âmbito desportivo moçamedense, em função do progresso económico do Distrito. A criação de um "sector desportivo" no âmago do Rádio Clube de Moçâmedes, especialmente dedicado ao desenvolvimento ao "automobilismo" e aproveitando-se das qualidades da Terra, trouxe muitos momentos de júbilo, independentemente dos reais benefícios para o turismo do Sul de Angola.

 
Foi no início da década de 50 que se deu o despontar o desporto automobilístico no Distrito de Moçâmedes. Nesses tempos participavam carros de turismo de diversas marcas e níveis de preparação, e até carrinhas de caixa aberta, todos disputando as provas e correndo juntos, sem distinção. Corria-se porque se gostava, por amadorismo, e os carros com que se corria eram os mesmos do dia a dia e até os pneus eram os mesmos, fosse qual fosse o seu piso. Mais tarde as pistas angolanas evoluiram com novas aquisições, entre as quais se salienta o Porsche 904 GTS adquirido por Henrique Ahrens de Novais etc., e na década de 70, as provas eram já divididas em "corridas" distintas de pilotos consagrados e de pilotos iniciados.  



O primeiro campeonato de automóvel de Moçâmedes realizou-se em 1955, com inexcedível entusiasmo, atribuindo-se três classes -A,B,C-, de acordo com a cilindragem dos automóveis concorrentes, em número de dezasseis.

A classificação final ficou assim ordenada, exclusivo duas desistências dos concorrentes, Artur Ferreira Trindade e Eng. Ventim Neves:
Classe A:
1. Fernando Veloso de Oliveira
2. Mário Baptista de Sousa
3. Rui Duarte de Mendonça Torres
4. Rogério Baptista de Sousa
5  José Martins Cristão Junior

Classe B:
1º Gaspar Gonçalo Madeira
2º Fernando Pereira Cabeça
3º Mário António Trabulo

Classe C:
1º Artur Homem da Trindade
2º Dr. Mãrio Moreira de Almeida
3º Dr. Garcez Palha
4º Alberto Ferreira da Silva
5º Engº Romero Monteiro
6º Firmino José Parrança

Classificação final global (por índice de aproveitamento):
1º Artur Homem da Trindade
2º Engº Romero Monteiro
3º Gaspar Gonçalo Madeira
4º Artur Ferreira da Silva
5º Fernando Veloso de Oliveira
6º Fernando Pereira Cabeça
7º Dr. Garcez Palha
8º Mário Baptista de Sousa
9º Firmino José Parrança
10º Rui Duarte de Mendonça Torres
11º José Martins Cristão Júnior
12º Dr. Mário Moreira de Almeida
13º Mário António Trabulo
14º Rogério Baptista de Sousa

Foi o primeiro passo da modalidade, nomeadamente «puzle», «rallys», em especial integradas nas Festas do Mar, cada vez mais equilibradas e com melhor qualidade dos respectivos carros.

 
O primeiro «Rallie» foi concretizado no ano de 1958, a que se deu o nome de «Rallie do Caraculo», com organização impecável, tendo sido a directório da prova confiada a José Martins Cristão.

 
O perfil do centro da cidade de Moçâmedes prestava-se a estas provas, mas anualmente os circuitos beneficiavam de justificadas e oportunas correcções.




 
No «Rallie do Caraculo» o directório da prova  foi confiado a José Martins Cristão, que aqui vemos de costas para a objectiva
 

 

 

Estas são as fotos mais antigas que consegui, desta modalidade em Moçâmedes. Creio que se trata do Rali do Caraculo, em 1953

No início as  provas decorriam ao longos das ruas da Praia do Bonfim e Rua Bastos, circundado a Avenida da República. Mais tarde passaram a decorrer na Avenida Marginal...
Mais tarde as provas passaram a ser efectuadas na marginal, após o desmantelamento das primitivas pescarias, a construção do cais acostável e da estrada marginal


Mas realizavam-se também provas ma parte alta da cidade, próxima do Parque Infantil...



 

                            Henrique Ahrens de Novais, entre Dina Chalupa e Jaime Lúcio dos Santos.
Nesta altura, o idolo dos moçamedenses era o Ahrens Novais...


O circuito das «Festas do Mar», em Moçâmedes, em 30 de Março de 1969, em que participaram os melhores «volantes» angolanos, foi ganho pelo moçamedense Henrique Aharens de Novaes, em 2º o corredor Corte Real e em 3º Silveira Machado.

A representaçãoo de Moçâmedes em provas de velocidade realizadas noutras localidades de Angola, passou a estar nas mãos do corredor Henrique Ahrens de Novais, especialmente, e de António Costa e Silva (Moinhos), eventualmente, que somaram alguns alguns êxitos.

Fica aqui o registo do panorama e dos que deram impulso a este desporto de elite, cativante de uma populaçãoo animada e alegre, atenção ao derradeiro momento da presençaa portuguesa em Angola.




Ahrens de Novaes no podium





Lá mais para diante os bólides eram outros...










































































Marilia Cavaco